Monitoramento de Fauna

Projeto de Monitoramento de uma População de Jacarés-De-Papo-Amarelo (Caiman latirostris) na APA GUAPIMIRIM e ESEC GUANABARA

São descritas vinte e três espécies de crocodilianos no mundo sendo que seis ocorrem no Brasil, o que o torna, juntamente com a Colômbia, o país com a maior diversidade mundial desses répteis. No Estado do Rio de Janeiro, somente o jacaré-de-papo-amarelo (Caiman latirostris) é nativo, porém esta espécie tem sua distribuição geográfica ao longo de todo o litoral da Floresta Atlântica (figura 1).

Acompanhe as imagens do texto aqui, e clique na imagem para vê-la maior em outra janela e acompanhar as legendas:

 

 

 

 

Como a maior parte da população brasileira reside no litoral, é intensa a pressão antrópica nos remanescentes da Mata Atlântica, o que exerce grande influência nas espécies residentes. Embora não figure mais na Lista Oficial de Espécies Ameaçadas, o Caiman latirostris esta sob ameaça no Estado do Rio de Janeiro.

Este projeto iniciou em março de 2010 e tem como objetivo monitorar a população de jacaré-do-papo-amarelo (Caiman latirostris) na APA de Guapimirim e Esec Guanabara, avaliando o número de animais adultos, jovens e filhotes, através da captura e marcação dos animais e monitoramento dos ninhos.

Os procedimentos de captura consistem em realizar incursões na área da APA de Guapimirim e Esec Guanabara para localizar os animais, principalmente à noite, no barco de alumínio e à pé. Após a localização do animal jovem ou adulto, o mesmo é laçado com corda de seda (através do cambão) e removido para dentro do barco ou terreno seco (figuras 2, 3 e 4). O animal é imobilizado com contenção manual e passa-se uma fita ao redor da boca do mesmo para evitar mordidas. Os membros também são amarrados. É realizada a biometria, pesagem, sexagem através da observação do clítero-pênis, retirada da temperatura corporal, marcação com microchip subcutâneo e marcação com brinco na região dorsal da cauda (figuras 5 e 6). Os parasitos são coletados e acondicionados em frascos limpos com tampa contendo álcool a 70 % para os ectoparasitas e formol a 10 % para os endoparasitas. Os mesmos são discriminados e encaminhados para posterior identificação em laboratório. É coletado sangue no seio vertebral, na região cefálica, para posterior pesquisa de contaminantes e parasitas. Em alguns animais são realizadas uma lavagem estomacal para estudo do conteúdo estomacal. Após esses procedimentos os animais são soltos no mesmo local de captura. O local é georeferenciado e marcado no mapa da área. Ocasionalmente são realizadas recapturas, e dessa forma pode-se comparar o desenvolvimento dos animais.

Os ninhos das fêmeas encontrados são georeferenciados, retirados sua temperatura, os ovos são contados, retirada a biometria e peso, além de serem monitorados ao longo da estação de nascimento. Os filhotes são microchipados para futuras recapturas e comparação do desenvolvimento.

Dessa forma, poderemos obter dados para avaliar a dispersão dos animais e se o impacto da ação antrópica afeta e/ou altera a população.

Dezenas de animais já foram capturados e marcados, e os resultados iniciais indicam que a população desses animais no local encontra-se com boas condições de saúde, inclusive sendo observados vários filhotes na área do estudo.

Veja no álbum abaixo outras espécies encontradas na APA Guapimirim: